é uma saudade tão curta e tão concentrada
que não chega a ser saudade.
É uma saudade espremida entre um dia e outro.
É uma saudade encolhida, sufocada
numa geografia mínima,
tão mínima que não pode ser saudade
o tecido suspenso, estendido entre mim e você.
Se fosse saudade
eu até me gabaria de senti-la, porque de você.
Mas não. É antes uma presença residual. Definitiva.
Como dor que me quer abraçar
Como ausência que não se despede.
A saudade que eu sinto de você não tem razão de ser.
É uma necessidade de sofrer hoje
o que não terei jamais: sua ausência.
[do livro Quatro gavetas]
Nossa nunca escutei, nem lí, nem ví alguem falar assim com tanta profundidade da saudade.
ResponderExcluirESSE É UM DOS MEUS PREFERIDOS DO LIVRO "QUATRO GAVETAS".
ResponderExcluirObrigado pela atenção, queridas leitoras.
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