sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Suzana Flag


O amigo que buscas não está mais
ao alcance de tua autocomiseração.

Querias um amigo leal como um escudo
Armaste uma varanda na cidade invisível
Compraste uma guitarra sem saber tocar
Te esforçaste tanto que já sabes dizer tua cerveja
[preferida.

Pensavas que ele suportaria mil tardes sob essa varanda,
secando garrafas sem pressa,
curtindo teus downloads de banda de garagem.

Não sabes que o amigo tem futuro e seu mundo é
[grande.
Todas as guitarras não valem um acorde.
Que podes tu contra armas e rosas?

O amigo que buscas não está mais
ao alcance de tua autocomiseração.

[do livro Quatro Gavetas]

2 comentários:

  1. Li seu livro e gostei bastante da gaveta de angelim (principalmente do poema Fátua) e da gaveta de cedro...acho bacana esse teu poema Suzana Flag,não sou especialista nem nada, mas quando eu li ele, de primeira, me passou a sensação de desilusão, vazio e tal...daí eu li de novo, de novo, só que no blog e agora além dessa sensação ele me traz aos poucos a ideia de desconstrução da imagem idealizada de amizade que por vezes encasquetamos, essa imagem de amizade que parece nunca provar o gosto da solidão, enfim são só impressões minhas, o poema não se esgota nisso, é claro, e que bom que seja assim!

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado, Érika, pelo belíssimo comentário.

    ResponderExcluir