quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As ruas


As ruas que morrem à noite,
solitárias, meu Deus,
                      sem gemidos,
o que dizem elas
e a quem dizem?

As ruas não dormem, meninos,
                      as ruas velam.
E por que velam?
Pastoras resignadas,
assistem o sonho humano
não comunicado (e perdido)
                     dos seres
descobrindo-se uns nos outros,
perplexos e tardios.

As ruas velam silenciosas
por esses homens
                     mortos
nos passos apressados
                     da humanidade.


[do livro Quatro gavetas. Poema musicado por Márcio Portela]

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