sábado, 27 de novembro de 2010

O abridor, a luz


Agora que estás (tu o sentes)
só,
se te revelam novas regras de não-destino.

Jamais terás uma adega,
mas comprarás um abridor.
Tu o usarás até que
o amarelo cristalino no copo
seja a única luz nos teus olhos.

A televisão será apenas
um elemento da decoração auto-imposta.
Revistas e roupas espalhadas
negarão que há um vaso à porta,
reclamando visitas.
E o prédio não entenderá
o que Van Morrison tem a ver
com Daft Punk.

Não serás nunca poeta,
mas amarás tuas filhas.

Agora que estás só,
pouco importa falte água:
só precisas de luz.

[poema de Eleazar Carrias musicado por Márcio Portela
e publicado na Antologia Literária Cidade vol.I]

2 comentários:

  1. Exxelente espaço, parabens. Indicarei nas minhas páginas, aguarde.
    Abração
    www.luizalbertomachado.com.br

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  2. Sua opinião me deixa muito feliz, Luiz Alberto.
    E saber que serei divulgado em suas páginas, então... Só posso ser grato!

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